Israel ameaça com "grande operação" e acelera colonatos na Cisjordânia

Israel ameaça com "grande operação" e acelera colonatos na Cisjordânia

Telavive garantiu que vai atuar com “firmeza” depois de episódios de violência que envolveram colonos e resultaram nas mortes de dois israelitas e quatro palestinianos.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Mussa Qawasma - Reuters

O exército israelita preparava-se esta sexta-feira para pôr em marcha uma “grande operação de contraterrorismo” na Cisjordânia ocupada, depois de Benjamin Netanyahu ter prometido retaliar na sequência das mortes de dois israelitas em confrontos no norte daquele território palestiniano.

O primeiro-ministro israelita, que descreveu os recentes acontecimentos como um “ataque letal”, anunciou, ao mesmo tempo, a “aceleração da legalização de postos avançados de assentamentos”.O exército israelita suspendeu as licenças dos soldados em todo o território palestiniano ocupado e está a reforçar posições.


Os confrontos eclodiram em Tell, no norte da Cisjordânia, território palestiniano ocupado desde 1967 pelo Estado hebraico e onde a violência tem recrudescido desde o ataque do Hamas contra Israel, a partir da Faixa de Gaza, a 7 de outubro de 2023.

Walid Zidan, responsável local de Tell, relatou à France-Presse que a violência teve início quando duas dezenas de colonos israelitas do posto vizinho de Havat Gilad entraram na localidade: “Estavam presentes soldados israelitas e, juntamente com os colonos, abriram fogo”.

“Foram os colonos que invadiram a localidade com a intenção de matar, saquear e incendiar propriedades”, acusou o mesmo responsável palestiniano.
“Confronto violento”

O exército israelita alegou, por sua vez, que foi um ataque contra “caminheiros” israelitas a espoletar o “confronto violento” entre dezenas de palestinianos e israelitas.

Ainda segundo o Tsahal, uma equipa de segurança civil do colonato de Havat Gilad e soldados israelitas foram destacados para o local. Ter-se-á então seguido uma troca de tiros “de ambos os lados”.

Telavive alegou que um palestiniano se apoderou da arma de um dos colonos, matando um destes. Posteriormente, indicaria que um segundo israelita havia sido abatido “enquanto atuava como agente de segurança da defesa local”.

Exército israelita e Autoridade Palestiniana confirmaram as mortes de quatro palestinianos.
“Mão de ferro”

Há também notícia de confrontos em Farata, perto de Qalqilya, igualmente no norte da Cisjordânia. O Crescente Vermelho Palestiniano refere sete feridos, a maioria em consequência de disparos de armas de fogo por parte de colonos israelitas.

O ministro israelita das Finanças, Bezalel Smotrich, rosto da extrema-direita, apressou-se a exortar as Forças de Defesa de Israel a agirem com “mão de ferro”.Meio milhão de israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia, habitada por cerca de três milhões de palestinianos.


Dados das autoridades do Estado hebraico apontam para que pelo menos 48 israelitas, civis e militares, tenham morrido em território palestiniano, desde outubro de 2023, em ataques palestinianos ou operações militares de Israel.

O número de mortos no flanco palestiniano ascende a pelo menos 1.094, segundo números do Ministério palestiniano da Saúde coligidos pela agência noticiosa francesa.

c/ agências
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